Sexta-feira, 13 de Abril de 2012

Caminhos

Estar aqui e ali, além e lá
Ser apenas na luz do dia
Cintilante e hesitante, aresta
Olhando confiante o medo
Calcorrear empedradas pistas
Desafios de vida e de morte.

Quarta-feira, 11 de Abril de 2012

Dimensões

Tanto tempo.
Como o tempo se esvai.
Como água pelos dedos.
Pingos apenas salpicos.
Afasto-me e distingo-me silhuenta.
De um olhar diferente de mim.
Assim, se passa em eco.
Vida que foi, que vai...

Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2012

Perdas

O novo ano amanheceu em botão.
Do que se perdeu talvez um grão
De saudade, teias de aranha, poeira.
Do que se irá em breve perder?
Nem isto, nem isto.

Sábado, 17 de Dezembro de 2011

Espera

Todos os anos em dezembro tu mentes
Dizes que vens e eu que creio espero
Lá fora há cânticos de Natal
É inverno e anoitece tão tarde...

Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2011

Declaração

Olha, em quantos tons de prata enrubesce a rosa?
Nos teus olhos, a rosa enrubesce num arco-íris de emoções.
Mas só um tom fica cativo no meu olhar - o do Amor!

Segunda-feira, 14 de Novembro de 2011

Chuvadas

Neste tempo de nuvens carregado
Como se fosse para confirmar sua chegada
Fez-se o inverno em noitágua
Em madrugada-correnteza de enxurrada
E amanheceu em manhã-desamanhecida
(Ainda restos de noite, um véu) em humidade
O silêncio a toldar cidade e vida .

Domingo, 30 de Outubro de 2011

Autorretrato

Coreografia dançada
De noite escura e parcas madrugadas
Faz-se a minha alma de bruma e penumbra
É quase sempre derradeira luz
Sobre um deserto de mares infindáveis
Profundos.
Assim eu sou sempre ilha
Jamais a ansiada península
Sempre a pura inquietação e a rara claridade.